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25/05/2009 - Hospital adota normas internacionais de combate à sepse

A Santa Casa de Araçatuba já integra o restrito grupo de hospitais brasileiros que decidiram adotar um protocolo internacional, instituído para aperfeiçoar a assistência aos pacientes portadores de sepse grave.

No sábado (23/5), o médico Adriano José Pereira, coordenador do Instituto Latino Americano da Sepse (ILAS), esteve em Araçatuba para implantar a Surviving Sepsis Campaign (Campanha de Sobrevivência à Sepse).

A meta do protocolo é reduzir em um prazo de cinco anos, 25% das mortes decorrentes de septicemia (sepse), doença que provoca a morte de aproximadamente 240 mil pessoas por ano no Brasil. A quantidade de óbitos é preocupante. Torna-se alarmante quando comparada, por exemplo, as 140 mil mortes/ano provocadas pelas doenças do coração, patologia que lidera o volume de óbitos no País.

“A exemplo do que ocorre com as doenças do coração, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, estabelece a diferença para a redução das mortes por sepse”, define o coordenador do ILAS. 

“Quanto mais tempo o profissional de saúde demorar em reconhecer esse paciente e a iniciar o tratamento para conter o avanço da sepse, menores serão as chances de sobrevivência. Fator que pode elevar a taxa de mortalidade a absurdos 80%”, completa o médico Adriano Pereira.

Treinar profissionais que atuam em terapia intensiva, medicina de urgência ou setores com alta incidência de infecções graves, especializando-os a reconhecer a doença, contorná-la de modo a evitar que um quadro inicial evolua para a sepse grave (comprometimento do funcionamento dos órgãos) e choque é a principal arma da Campanha de Sobrevivência à Sepse, para que o país reduza o índice de óbitos.

Criada na Espanha, em 2002, a campanha consiste na implantação de medidas terapêuticas que se iniciam na sala de emergência e culminam na unidade de tratamento intensivo. O destaque é a padronização das condutas em todos os elos da cadeia hospitalar.

Na Europa e em alguns países da América Latina, a Campanha já completou cinco anos. Os hospitais participantes conseguiram atingir o índice de 25% de redução de mortes por sepese. “Já foi criado, inclusive um banco de dados internacional. Agora serão discutidos os novos rumos do projeto”, informa o representante do ILAS.

No Brasil, o projeto foi lançado em 2004 e já conta com 60 hospitais participantes. “Ainda estamos coletando os dados sobre a redução dos índices de mortalidade. Porém já é possível afirmar que os resultados vão além da sepse. A Campanha melhorou a qualidade no atendimento global”, informa o coordenador.


 Treinamento

Durante o treinamento ministrado aos médicos e profissionais de enfermagem que atuam na Santa Casa, o coordenador do ILAS, esclareceu que para reduzir a mortalidade da doença, o hospital não precisará adquirir equipamentos ou drogas revolucionárias.  “É preciso organizar o atendimento de acordo com o protocolo. A doença exige um treinamento multidisciplinar”.

Durante as duas palestras de treinamento, que foram realizadas no anfiteatro da Associação Paulista de Medicina, o médico Adriano José Pereira, intensivista do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, detalhou os itens do conjunto de medidas que praticadas seqüencial e corretamente, ajudarão a Santa Casa de Araçatuba a reduzir em até 25% os índices de mortes por sepse.
Os casos atendidos e as condutas praticadas pelas várias áreas de procedimentos do hospital terão de ser enviados ao ILAS. A instituição avaliará os relatórios e os devolverá à coordenação do hospital, identificando erros e acertos.
O novo programa implantado na Santa Casa está sob a responsabilidade do Serviço de Clínica Médica e Terapia Intensiva. A coordenação será feita pelo médico intensivista Fábio Bombarda. Para ele, o projeto resultará em “qualidade de atendimento aos pacientes”.

Santa Casa de Araçatuba

Ao aderir ao protocolo, a Santa Casa de Araçatuba estabelece um diferencial de atendimento. “O hospital se aprofunda no conhecimento da sepese e nas condutas que interferem na mortalidade causada pela doença”, define o médico Adriano Pereira. 

O coordenador do ILAS elogiou a decisão da direção do hospital em aderir à Campanha Sobrevivendo à Sepse. A Santa Casa de Araçatuba é o primeiro hospital público a implantar o protocolo internacional e a treinar profissionais, preparando-os a identificar correta e rapidamente os casos de sepse e tratá-los adequadamente.
“Acho de extrema importância a Santa Casa de Araçatuba aderir ao protocolo. Seus coordenadores demonstram com isso preocupação com o atendimento à população”, diz.

Referência em alta complexidade, o hospital recebe pacientes graves encaminhados pelos 42 municípios da região.  “Porém o hospital, não pode permanecer voltado apenas à assistência. Necessita refletir e planejar a prestação dessa assistência. Essa é a grande diferença que destaco aqui na Santa Casa de Araçatuba. Vejo pessoas preocupadas em atender seus referenciados adequadamente”, informa o coordenador do ILAS, Adriano Pereira.

O médico conclui, comparando essa visão à preocupação única de manter várias frentes de trabalho para garantir a demanda por atendimentos. “Não basta ter médicos atendendo ininterruptamente. È necessário identificar as doenças que estão sendo atendidas, os resultados obtidos com as terapias utilizadas e o que pode ser melhor para a qualidade de vida e segurança do paciente. Muito disso, é objeto de discussão dentro da campanha”.

A Sepse

A sepse, também chamada de septicemia é uma doença que pode se desenvolver a partir de qualquer infecção sistêmica grave. Mas ao contrário de um conceito comum ao público leigo, a doença não é exclusiva do ambiente hospitalar. Decorre principalmente, por uma reação do próprio organismo a uma infecção já instalada, como por exemplo, as do trato urinário, meningite e pneumonia comunitária adquirida.
Num caso normal, a pneumonia, por exemplo, debilita apenas o pulmão. Com sepse, o fígado, coração e rins também podem ser atingidos.

Os grupos de risco são bebês prematuros, crianças com menos de um ano, idosos acima de 65 anos e portadores de imunodeficiências, como câncer, doenças crônicas, Aids, além de pessoas que estejam fazendo quimioterapia ou que usem corticóides.

Diabéticos, doentes renais ou com cirrose também podem se tornar vulneráveis à sepse. Usuários de álcool e drogas, vítimas de traumatismos, queimaduras, acidentes automobilísticos e ferimentos à bala e pacientes hospitalizados que utilizam antibióticos, cateteres ou sondas também estão entre as pessoas com maior chance de serem vítimas deste mal.

Devido à necessidade de usar equipamentos sofisticados, medicamentos caros e trabalho intensivo de equipes médica e paramédica, a doença é a principal geradora de custos nos setores público e privado da saúde. No Brasil, esses custos são estimados em aproximadamente R$ 18 bilhões/ ano.

 

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